sábado, 19 de dezembro de 2009
Retrato de Reynaldo Fonseca como preso
Somente hoje tirei uma foto do retrato que pintei de Reynaldo Fonseca no mês de novembro.
De vez em quando visito Reynaldo junto com o amigo Pedro Frederico. Adoro esses encontros em que a gente olha seus quadros pintados recentemente e conversa sobre arte em geral. Tenho muita admiração por sua pintura, pelos desenhos e composições meticulosas, as soluções inventivas, as cores douradas e azuladas, por esse universo próprio de Reynaldo, que me lembra, claro, Vermeer e também Balthus. Aliás é interessante notar como Balthus marca dois grandes pintores pernambucanos, Reynaldo Fonseca e Francisco Brennand.
Admiro também o aspecto operário em Reynaldo, até hoje, aos 85 anos, trabalha de segunda a sábado das 9:00 horas até o final da tarde, pintando em pé, daí as meias Kendall para amenizar as dores das varizes, mal que atinge cirurgiões, barbeiros e pintores.
De vez em quando visito Reynaldo junto com o amigo Pedro Frederico. Adoro esses encontros em que a gente olha seus quadros pintados recentemente e conversa sobre arte em geral. Tenho muita admiração por sua pintura, pelos desenhos e composições meticulosas, as soluções inventivas, as cores douradas e azuladas, por esse universo próprio de Reynaldo, que me lembra, claro, Vermeer e também Balthus. Aliás é interessante notar como Balthus marca dois grandes pintores pernambucanos, Reynaldo Fonseca e Francisco Brennand.
Admiro também o aspecto operário em Reynaldo, até hoje, aos 85 anos, trabalha de segunda a sábado das 9:00 horas até o final da tarde, pintando em pé, daí as meias Kendall para amenizar as dores das varizes, mal que atinge cirurgiões, barbeiros e pintores.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Artistas presos num retrato
Na exposição “Ecce Homo” que realizei na Galeria de Arte Dumaresq em maio de 2007, mostrei seis retratos de pessoas presas sendo apresentadas à imprensa. Coisa que a gente vê diariamente nos jornais. Uma fotografia de alguém que não quer ser fotografado, não quer ser (re)conhecido. O leitor procura ver, o retratado procura esconder-se.
Quis levar essa tensão entre um esconder-se e revelar-se para uma série de retratos de artistas amigos que admiro. Procuro prender, captar o artista, normalmente escondido por trás de sua obra, num retrato que tem certa crueza. Coloca-se a pessoa à força na parede. O procedimento leva a reflexões em torno da relação entre biografia e obra, entre identidade e arte.
Com esta pintura de uma série de retratos de pintores volto até a uma tradição antiga dos séculos XVI e XVII, quando se fazia coleções de pinturas ou gravuras de retratos de pintores da época.
Quis levar essa tensão entre um esconder-se e revelar-se para uma série de retratos de artistas amigos que admiro. Procuro prender, captar o artista, normalmente escondido por trás de sua obra, num retrato que tem certa crueza. Coloca-se a pessoa à força na parede. O procedimento leva a reflexões em torno da relação entre biografia e obra, entre identidade e arte.
Com esta pintura de uma série de retratos de pintores volto até a uma tradição antiga dos séculos XVI e XVII, quando se fazia coleções de pinturas ou gravuras de retratos de pintores da época.
José Cláudio
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
A Sociedade do Portador de Deficiência da Mangueira
Sou coordenador geral de uma ONG, o Serviço de Promoção Social, que desenvolve três projetos sociais e educativos: um Centro de Acolhimento de crianças pobres de um bairro periférico em Campina Grande na Paraíba; um projeto de geração de renda e emprego para jovens em situação de risco que funciona num casarão secular na Rua da Santa Cruz frente ao Mercado da Boa Vista no Recife; e um projeto de assistência social a um grupo de 40 pessoas portadoras de deficiência no bairro da Mangueira, também no Recife.
Já conheço há bastante tempo essa turma da Sociedade do Portador de Deficiência da Mangueira (a SPD), composta por gente de idades diversas e portadora de todo tipo de deficiência. Sempre tive vontade de retratá-los, pois gosto de pintar pessoas do meu convívio. Percebo também que há uma lacuna na história da arte em relação à pessoa portadora de deficiência. Só me vem à lembrança alguns cegos e aleijados em Breughel, gente deformado em caricaturas de Da Vinci, anões na corte espanhola em Velasquez,... Na arte moderna, uma série do pintor inglês Robert Lenkiewisz.
Nos meses de fevereiro, março e abril fiz um início na pintura dessa série de retratos. A pintura me deu a oportunidade para me aproximar mais do dia a dia dessas pessoas e aprender algo mais das suas vivências. Pintei na casa de um e outro, a maioria dos retratos foram pintados na sede do S.P.D., onde instalei um atelier. Tirei algumas fotografias do bairro e do pessoal nas suas moradias. Fiz um começo, pintei 17 retratos até agora, dos quais mostro alguns embaixo. Pretendo continuar em 2010.
Já conheço há bastante tempo essa turma da Sociedade do Portador de Deficiência da Mangueira (a SPD), composta por gente de idades diversas e portadora de todo tipo de deficiência. Sempre tive vontade de retratá-los, pois gosto de pintar pessoas do meu convívio. Percebo também que há uma lacuna na história da arte em relação à pessoa portadora de deficiência. Só me vem à lembrança alguns cegos e aleijados em Breughel, gente deformado em caricaturas de Da Vinci, anões na corte espanhola em Velasquez,... Na arte moderna, uma série do pintor inglês Robert Lenkiewisz.
Nos meses de fevereiro, março e abril fiz um início na pintura dessa série de retratos. A pintura me deu a oportunidade para me aproximar mais do dia a dia dessas pessoas e aprender algo mais das suas vivências. Pintei na casa de um e outro, a maioria dos retratos foram pintados na sede do S.P.D., onde instalei um atelier. Tirei algumas fotografias do bairro e do pessoal nas suas moradias. Fiz um começo, pintei 17 retratos até agora, dos quais mostro alguns embaixo. Pretendo continuar em 2010.
Duas casas azuis e uma ciclista
Wedson, "Jesus te ama"
Wedson, "salvo"
Valdemir
Valdemir é paraplégico. Há doze anos levou um tiro nas costas na saída de um pagode em Olinda.Um caso deste me faz pensar a respeito das estatísticas da violência. Em geral, só conhecemos os números das vítimas fatais. Mas quanta gente leva pelo resto da vida seqüelas graves da violência?
Gerlane e sua filha Monique
Gerlane
Marta
Ploeg pintando Fátima
Jefferson
Marlon
João
João está chegando perto dos 60 anos. Não consegue mais trabalho. Trabalhou a vida toda, desde criança e está, digamos, esgotado.Ele faz de tudo na sede da Sociedade do Portador de Deficiência. É muito prestativo. João sempre veste azul. O que me faz lembrar o retrato que Van Gogh pintou em 1888 do carteiro Joseph Roulin. O pintei numa pose em pé e no sol para ressaltar os azuis frente um fundo de cores complementares, ocre e laranja.
Cristina
DOM HÉLDER CÂMARA
Fiquei feliz com a encomenda do IMIP de pintar um retrato de Dom Hélder Câmara a ser colocado nas novas instalações do voluntariado do IMIP no restaurado e modernizado Hospital Pedro II. Dom Hélder é patrono do voluntariado que conta com mais de 400 pessoas.
Este ano são comemorados os 100 anos de nascimento de Hélder Câmara e os 10 anos do seu falecimento. A pintura foi para mim uma oportunidade para recordar D. Hélder, figura franzina de um imenso humanismo. Foi através de Dom Hélder que vim para o Brasil há trinta anos para conhecer a caminhada pastoral da Igreja dos Pobres e a teologia que acompanhava e estimulava este processo.
Não quis pintar Dom Hélder palestrando e gesticulando, mas quis retratar ele mesmo velhinho e sorridente, numa postura de quem se aproxima do leito de uma pessoa doente.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Exposição de Pinturas de Ploeg na Dona Santa/Santo Homem
No dia 15 de julho de 2009 farei uma exposição de pinturas na Dona Santa/Santo Homem em Boa Viagem. São 25 quadros, todos eles óleo sobre tela e quase todos são trabalhos recentes. A temática é doméstica e ao mesmo tempo diversa. Figura, natureza morta, paisagem, tudo em casa. São coisas que gosto de pintar sem grandes conceitos por trás. Se fosse música, a exposição poderia ser chamada "Ploeg Unplugged".
A Colcha de Retalhos
Sem Sinal
Queria pintar esses azuis de DieterRuckhaberle, pintor alemão, colorista
maravilhoso, que divide atelier
entre Berlim e João Pessoa.
Jazz
Um quadro de 2006 de Susana curtindo jazz.
No retângulo horizontal da tela fiz
No retângulo horizontal da tela fiz
a composição de um losango
para a música ressoar.
sábado, 9 de maio de 2009
Sexta-Feira Santa
A Sexta-Feira Santa em Pernambuco é bem particular. Comida em abundância, um almoço de coisas típicas como quibebe, feijão, bredo, peixe, purê, tudo preparado com leite de côco. Vinho também em abundância. “O verdadeiro jejum” (Isaias 58) consiste na reunião da família e dos amigos em torno da mesa. Ninguém pode faltar. Há um esforço de avisar e chamar o pessoal como se fosse para o velório de um parente.
Na Via Sacra em Olinda, da qual participo todo ano, continua esse mesmo enredo. Parece o enterro de um conhecido. As antigas irmandades com suas roupas coloridas carregam as imagens. Na frente vai o Senhor Morto seguido por Verônica, pela mãe Maria e pelo discípulo amado João. Um velho carro de som dá volume às rezas e cânticos de um frade franciscano e o povo vai acompanhando pelas ruas da cidade alta, rezando, conversando, chupando pitomba. Até algodão doce é vendido. Não tem essa história de distinção de sagrado e profano. É um sentimento só. Vamos enterrar um conhecido, Jesus de Nazaré.
Na Via Sacra em Olinda, da qual participo todo ano, continua esse mesmo enredo. Parece o enterro de um conhecido. As antigas irmandades com suas roupas coloridas carregam as imagens. Na frente vai o Senhor Morto seguido por Verônica, pela mãe Maria e pelo discípulo amado João. Um velho carro de som dá volume às rezas e cânticos de um frade franciscano e o povo vai acompanhando pelas ruas da cidade alta, rezando, conversando, chupando pitomba. Até algodão doce é vendido. Não tem essa história de distinção de sagrado e profano. É um sentimento só. Vamos enterrar um conhecido, Jesus de Nazaré.
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