quarta-feira, 31 de março de 2010

Gil Vicente no seu ateliê


Pintei mais este retrato de Gil Vicente atrás da grade do seu ateliê. Aí está óbvia a brincadeira de Gil finalmente preso após tantos sequestros e ameaças à vida que ele cometeu na sua série de desenhos intitulada "Inimigos".

Thina Cunha



O retrato de Thina ficou, a meu ver, escultórico.

Thina Cunha como uma dona de casa desesperada




"a desperate housewife"

José de Moura


Se não for pelo lance da cara, Zé é reconhecido pela honrosa camisa de conselheiro do Santa Cruz Futebol Clube

Pedro Frederico


Pintei este retrato de Pedro Frederico no mês de janeiro. Segundo comentário dos meus filhos: um elegante mafioso com seus óculos Ray Ban, com certeza o chefe do bando.

Paisagens e galinhas

Nestes meses de verão pintei algumas cenas do sítio onde moro: paisagens do mato e as galinhas de capoeira que a gente cria.

cajueiros







as árvores azuis


o título peguei emprestado de um quadro de Gauguin

paisagem com goiabeira e cajueiros


um pé-não-sei-de-quê


manga espada


as bananas verdes


galinhas no terreiro




aproveito a luz do final da tarde que alonga as sombras para pintar as galinhas no terreiro e introduzir essas sombras diagonais

galinhas


a alternância das galinhas brancas e coloridas dá o efeito de profundidade

três galinhas e uma manga espada


quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

o Painel do IMIP

No dia 29 de dezembro de 2009 uma comissão do IMIP foi conferir a pintura do painel no meu atelier provisório no Centro Cultural o Casaraõ na Rua da Santa Cruz, nº 190.
O painel estava praticamente pronto e foi aprovado pelo diretor do IMIP, Antônio Carlos Figueira, pela diretora da Fundação Alice Figueira, Sílvia Rissin e pelos doutores Gilliatt Falbo e Miriam Asfora.
No mês de janeiro de 2010 montamos e emolduramos o painel e o instalamos na Sala de Defesa de Tese no Hospital Pedro II - IMIP.
A fotografia é de Robson Xavier. Confira seu portfolio online: www.robsonxavier.blogspot.com

visita da comissão do IMIP


Silvia Rissin, Antonio Carlos Figueira, Gilliatt Falbo e Mirian Asfora

Viva a Vida!




a Sala de Defesa de Tese


visita do jornalista Alex de Souza Alencar


comentando o painel com Alex


sábado, 26 de dezembro de 2009

Natal 2009

Em época natalina voltei a pintar um tema que já pintei outras vezes: a sagrada família. Uma cena de um casal com um neném recém-nascido. Através das mãos quero expressar o carinho com que o casal acalenta o neném que está mamando tranquilamente. Maria, José e Jesus. Ou tantos outros nomes de gente feliz da vida com o nascimento do filho.
Pintei duas versões desta vez: uma primeira, menor, onde experimentei com o amarelo e as cores complementares verde e vermelho. Uma segunda versão mais naturalista para a capa do Jornal do Commercio no dia de Natal.

a sagrada família


a sagrada família


sábado, 19 de dezembro de 2009

o Painel do IMIP

Em maio deste ano recebi de Antônio Carlos Figueira, presidente do IMIP, a encomenda de pintar um painel para a sala de defesa de tese no Hospital Pedro II. Chegamos a um consenso que o painel devia expressar o aspecto humanitário da medicina. O tema seria algo como um elogio à vida, um olhar sobre as fases da vida.
Fiz este primeiro estudo de uma jovem mãe com sua filha de cinco meses, Flora e Lis, um elogio à maternidade. Pensei que ela poderia ser a figura central unida ao tronco de uma “árvore da vida” que acolhe em sua sombra várias pessoas. Uma cena que a gente pode ver todos os dias no pátio do IMIP. Plasticamente queria desenvolver esta idéia como o retrato da minha família, que abre este blog e que, com referência a Gauguin, se chama “meu Taití é aqui”.
Aos poucos fui desenhando e pintando todas as figuras com modelos encenando várias posturas. Procurei poses e posturas que expressassem emoções de ternura e amor, algo que considero imprescindível para a cura e para o exercício da medicina também no seu mais alto nível acadêmico.

Flora e Lis, "Maternidade"


O projeto do painel


Apresentei à diretoria este projeto, medindo 137 x 192, numa escala de 1:4 para o painel final. Várias pessoas deram a sugestão de colocar mais figuras no painel. José Cláudio lembrou o muralismo mexicano com cenas habitadas por muita gente. Teria que ter bastante coisa para se ver.
Pessoalmente pensei que a imagem devia ter mais verticalidade. Aumentando as figuras pelo fator 1,5 poderia criar mais espaço na largura para enriquecer a cena com mais pessoas e na altura para dar mais lugar na tela à árvore. Optei por uma mangueira para ter mais elementos verticais.

painel do imip, o projeto


Making off


O painel ficará nas medidas totais de 350 x 400 cm, dividido em seis telas. Para poder ver o painel todo enquanto pintava, precisei de um pé direito alto. Recorri ao casarão onde funciona a ONG na qual participo, o Serviço de Promoção Social, na Rua da Santa Cruz na Boa Vista onde tem paredes de 4,5m. de altura.
Neste fim de ano estarei finalizando a pintura do painel. Portanto, não tem ainda uma imagem definitiva. Nem título tem ainda. As fotos dão uma idéia do processo da pintura.

os primeiros traços


o desenho quase completo


pintando as figuras



trabalhando com modelo


a mangueira


uma imagem parcial


quase pronto


Retrato de Reynaldo Fonseca como preso

Somente hoje tirei uma foto do retrato que pintei de Reynaldo Fonseca no mês de novembro.
De vez em quando visito Reynaldo junto com o amigo Pedro Frederico. Adoro esses encontros em que a gente olha seus quadros pintados recentemente e conversa sobre arte em geral. Tenho muita admiração por sua pintura, pelos desenhos e composições meticulosas, as soluções inventivas, as cores douradas e azuladas, por esse universo próprio de Reynaldo, que me lembra, claro, Vermeer e também Balthus. Aliás é interessante notar como Balthus marca dois grandes pintores pernambucanos, Reynaldo Fonseca e Francisco Brennand.
Admiro também o aspecto operário em Reynaldo, até hoje, aos 85 anos, trabalha de segunda a sábado das 9:00 horas até o final da tarde, pintando em pé, daí as meias Kendall para amenizar as dores das varizes, mal que atinge cirurgiões, barbeiros e pintores.

Reynaldo Fonseca


quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Artistas presos num retrato

Na exposição “Ecce Homo” que realizei na Galeria de Arte Dumaresq em maio de 2007, mostrei seis retratos de pessoas presas sendo apresentadas à imprensa. Coisa que a gente vê diariamente nos jornais. Uma fotografia de alguém que não quer ser fotografado, não quer ser (re)conhecido. O leitor procura ver, o retratado procura esconder-se.
Quis levar essa tensão entre um esconder-se e revelar-se para uma série de retratos de artistas amigos que admiro. Procuro prender, captar o artista, normalmente escondido por trás de sua obra, num retrato que tem certa crueza. Coloca-se a pessoa à força na parede. O procedimento leva a reflexões em torno da relação entre biografia e obra, entre identidade e arte.
Com esta pintura de uma série de retratos de pintores volto até a uma tradição antiga dos séculos XVI e XVII, quando se fazia coleções de pinturas ou gravuras de retratos de pintores da época.

José Cláudio


Dois anos atrás pintei Mané Tatu, cujo retrato está neste blog abaixo. Este ano comecei pelo pai dele, José Cláudio. José Cláudio entrou na brincadeira. Tirou a camisa para esconder as algemas.

José Cláudio


José Cláudio de figura inteira para eternizar os crocs cor de laranja.

Guita Charifker


Eudes Mota (de costas)


Eudes Mota (de frente)


Popó, Edson Menezes


quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A Sociedade do Portador de Deficiência da Mangueira

Sou coordenador geral de uma ONG, o Serviço de Promoção Social, que desenvolve três projetos sociais e educativos: um Centro de Acolhimento de crianças pobres de um bairro periférico em Campina Grande na Paraíba; um projeto de geração de renda e emprego para jovens em situação de risco que funciona num casarão secular na Rua da Santa Cruz frente ao Mercado da Boa Vista no Recife; e um projeto de assistência social a um grupo de 40 pessoas portadoras de deficiência no bairro da Mangueira, também no Recife.
Já conheço há bastante tempo essa turma da Sociedade do Portador de Deficiência da Mangueira (a SPD), composta por gente de idades diversas e portadora de todo tipo de deficiência. Sempre tive vontade de retratá-los, pois gosto de pintar pessoas do meu convívio. Percebo também que há uma lacuna na história da arte em relação à pessoa portadora de deficiência. Só me vem à lembrança alguns cegos e aleijados em Breughel, gente deformado em caricaturas de Da Vinci, anões na corte espanhola em Velasquez,... Na arte moderna, uma série do pintor inglês Robert Lenkiewisz.
Nos meses de fevereiro, março e abril fiz um início na pintura dessa série de retratos. A pintura me deu a oportunidade para me aproximar mais do dia a dia dessas pessoas e aprender algo mais das suas vivências. Pintei na casa de um e outro, a maioria dos retratos foram pintados na sede do S.P.D., onde instalei um atelier. Tirei algumas fotografias do bairro e do pessoal nas suas moradias. Fiz um começo, pintei 17 retratos até agora, dos quais mostro alguns embaixo. Pretendo continuar em 2010.

Duas casas azuis e uma ciclista














A Mangueira é um bairro pobre e densamente habitado. Inúmeros becos com moradias para várias famílias. Nos últimos anos o bairro está recebendo investimentos na área de saneamento e calçamento de ruas.

Tudo azul


A Sociedade do Portador de Deficiência


Uma foto do pessoal reunido no quintal da SPD, na Rua João Leite, nº 367 no bairro da Mangueira.

Ploeg pintando Wedson



Pintei o retrato de Wedson na casa dele. Um calor muito grande.

Wedson, "Jesus te ama"



Wedson é paraplégico devido a uma queda de um viaduto para escapar de um assalto, há treze anos. Ele ficou muito revoltado e desgostoso da vida.

Wedson, "salvo"


A participação na S.P.D e na Assembléia de Deus deram um novo sentido à vida de Wedson, por isto este retrato como irmão, salvo. Foi desejo dele.

Valdemir

Valdemir é paraplégico. Há doze anos levou um tiro nas costas na saída de um pagode em Olinda.Um caso deste me faz pensar a respeito das estatísticas da violência. Em geral, só conhecemos os números das vítimas fatais. Mas quanta gente leva pelo resto da vida seqüelas graves da violência?

foto de Valdemir na cama