terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Schildersweek Domburg, Semana dos Pintores em Domburg


Participei nos dias 04 a 11 de maio de 2013 da 10' edição do Festival de Pintura "Schildersweek Domburg" .(Veja: www.schildersweek.nl) Domburg é um balneário localizado no sudoeste da Holanda na província de Zeelândia. O local é conhecido por sua luminosidade. No início do século passado vários pintores famosos passavam temporada em Domburg para trabalhar, entre eles Jan e Charly Toorop, Jan Sluijters e Piet Mondriaan.

O Festival de Pintura quer renovar este elã da cidade de ser uma colônia de artistas. Neste ano participaram 27 pintores e três fotógrafos vindos de 11 países, Argentina, Brasil, Mexico, Estados Unidos, Africa do Sul, Irlanda, Bélgica, Alemanha, Rússia, Polônia e Holanda. Nas fotos: o russo Kirill Datsouk e a americana Diane Lyon em ação na praia. Depois dois retratos em óleo sobre tela que pintei em meia hora cada retrato, no meio da rua, cercado por um monte de gente. Foi um desafio terrível para mim acostumado que sou com o sossego do meu ateliê de me ver num Place du Tertre em Domburg.

Abaixo dessas fotos seguem algumas pinturas que fiz nessa semana na Holanda. 



segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

o inverno passou

Tá na hora guardar as botas e tirar os chinelos do armário.





Cabanas de praia

Ao longo da praia tem essas cabanas para o pessoal trocar de roupa.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Retrato de Bernard

Meu amigo e compadre Bernard passou dois dias comigo em Domburg, nos quais trabalhamos neste retrato.

Retrato de Titus

Retratei meu amigo Titus numa sessão só no dia que passou comigo em Domburg.
Titus, o.s.t., 120 x 80 cm, 2013

quinta-feira, 18 de abril de 2013

O Senhor Morto em Olinda


Pintei dois quadros, um grande de 180 por 200 cm, e um pequeno, de 80 por 60 cm, que retratam a procissão do Senhor Morto em Olinda.  Participo todo ano desta procissão e, pela segunda vez (veja postagem de maio 2009), procurei pintar minhas observações e emoções.

A Sexta-Feira Santa em Pernambuco é bem particular. Comida em abundância, um almoço de comidas típicas como quibebe, feijão, bredo, peixe, purê, tudo preparado com leite de coco. Vinho também em abundância. “O verdadeiro jejum” (Isaías 58) consiste na reunião da família e dos amigos em torno da mesa. Ninguém pode faltar. Há um esforço de avisar e chamar o pessoal como se fosse para o velório de um parente.
Na Via Sacra em Olinda continua esse mesmo enredo. Parece o enterro de uma pessoa conhecida, próxima ou da família. As antigas irmandades com suas roupas coloridas carregam as imagens. Na frente vai o Senhor Morto seguido por Verônica, pela mãe Maria e pelo discípulo amado João. Os Santos se sobressaem acima da multidão que nem os bonecos gigantes do Carnaval Olindense. Um velho carro de som dá volume às rezas e cânticos de um frade franciscano e o povo vai acompanhando pelas ruas da cidade alta, rezando, conversando, chupando pitomba. Até algodão doce é vendido. Não tem essa história de distinção entre sagrado e profano. É um sentimento só. Vamos enterrar um conhecido, Jesus de Nazaré.

a Origem do Mundo

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

a Praça do Sebo no Recife

Agreste na seca

o Vira Lata

Judite e Holofernes

Judite (detalhe)

Judite e Holofernes após Caravaggio

Queria trabalhar o tema da sedução feminina que faz a gente perder a cabeça num estilo Caravagista. Meu filho Jonas e a namorada Raisa assumiram as poses de Holofernes e Judite do quadro de Caravaggio. Só não deixei o sangue espirrar.

Judite e Holofernes (detalhe)

Judite e Holofernes (detalhe)

Caim e Abel

Caim e Abel


O quadro lembra uma foto da página policial da Folha de Pernambuco, que de fato foi a fonte para esta pintura. Faz um ano que vi a foto e li a história triste do homem deitado, morto, e seu parente, um irmão, em pé, indignado.

O que aconteceu? O morto era pedreiro, gostava de tomar uma e bebo se envolveu numa briga de bar no Ibura. Apanhou bastante. A polícia o levou para a UPA onde foi medicado e logo mandado para casa. De novo a polícia o levou, ele entrou em casa andando, deitou-se, cobriu-se e morreu devido ao espancamento. A história terminou aí. Ninguém foi responsabilizado.

Me veio à mente a história de Caim e Abel e a pergunta insistente de Deus a Caim: “Onde está teu irmão?” Caim: “Sei lá, por acaso sou responsável por meu irmão?”

Na minha pintura é Caim que levanta a mão em defesa de si mesmo, esconde o rosto, já pronto para sair da cena. Abel deitado, meio cinzento como o cobertor e o chão, lembra até o Cristo Morto. Claro e escuro dividem a tela. Um saco de cimento aberto no meio da casa pois a vida está em permanente construção. Os bens duráveis de sempre e de todos, som, liquidificador, ventilador e televisão. Cascos secos, sobras de algum prazer. Comida pouca. Tênis guardado para ocasiões especiais. Retrato da pobreza.

Diálogo (feminino)

Diálogo (masculino)

Abacaxis

a roseira

a mangueira

o caju vermelho

Nu sentado após Permeke

Este ano faz 60 anos da morte de Constant Permeke (1886-1952), artista belga, principal figura do expressionismo flamengo.
Dez anos atrás estive na antiga residência de Permeke, hoje museu, em Jabbeke. Fizemos uma visita relâmpago, pois chegamos em cima da hora de fechar o museu. Quinze minutos para ver tudo! O que mais me impressionaram, foram os grandes desenhos de nus. Reproduzo aqui uma releitura minha em óleo sobre tela do desenho "Nu sentado" de 1948.

moça de botas

leitura matinal

Nu de costas

Despindo-se

Encomendas

Pintei algumas encomendas. Um quadro grande, 110 por 250cm, com o tema Jazz. Fiz um estudo menor (55 por 125cm)) de um jamsession com Miles Davis, o clarinetista de Portinari e meu amigo Fred Lyra no violão. O cliente gostou da composição em si mas preferiu um pianista no lugar do violonista e estranhou o clarinetista da obra de Portinari. Estes saíram e entrou Oscar Peterson no quadro.

Outra encomenda foi pintar uma cena de Romeu e Julieta numa tela de 100 por 200cm. Coloquei no centro da cena uma carta de amor, Romeu e Julieta, os dois se esticando para entregar a carta, impedidos pelos espinhos da buganvílea cuja flor roxa já anuncia o fim trágico da história.

Jazz (estudo)

Jazz

Romeu e Julieta

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Exposição "Construtores do Brasil"

No dia 05 de setembro de 2012 foi inaugurada a exposição "Construtores do Brasil, homens e mulheres que ajudaram a fazer um grande país" no Salão Nobre da Câmara dos Deputados em Brasília.A exposição dura até o dia 27 de setembro. Depois viajará pelo país. Os 25 retratos pintados por artistas do Brasil inteiro farão parte do acervo da Câmara dos Deputados. Na foto o Ministro dos Esportes Aldo Rebelo, curador da exposição, frente ao meu retrato de Henrique Dias.

sábado, 26 de maio de 2012

Henrique Dias

Fui convidado para pintar o retrato de Henrique Dias, que fará parte da “Galeria dos Construtores do Brasil” na Câmara dos Deputados em Brasília. Trata-se de uma reedição, agora em pintura, de uma galeria com reproduções fotográficas de 25 heróis e heroínas do povo brasileiro existente desde 2007. Foram convidados 25 artistas do Brasil inteiro para dar uma nova iconografia a este panteão de personalidades marcantes da história brasileira. Já pensou?! Logo eu, holandês, para pintar um herói da Insurreição Pernambucana que resultou na expulsão dos holandeses em 1654! Para dizer a verdade, não tive problema nenhum com isso. Para mim é uma honra. Fui tão bem acolhido nesta terra pernambucana que me sinto mais daqui do que de lá. Aliás, sou natural do sul dos Países Baixos região de cultura católica, portanto sou mais flamengo do que holandês.
Não existe uma iconografia única e definitiva de Henrique Dias. Ele aparece com feições diferentes no retrato no Museu do Estado de Pernambuco e na gravura que normalmente ilustra os livros de história e que inclusive está na atual Galeria dos Construtores. Por isso, tomei a liberdade de pintar a minha versão. Convidei meu amigo Buda para posar, negro bonito, de meia idade, um pouco calvo. As cores da roupa procuram combinar com as tonalidades do fundo. Henrique Dias esconde com o chapéu parte do braço esquerdo dele que foi decepado em uma batalha. Para contextualizar a figura nos eventos históricos da expulsão dos holandeses, pintei como fundo um detalhe do painel da Batalha dos Guararapes feito por Francisco Brennand em 1961/62 e que se encontra na Rua das Flores no centro do Recife. Pintei a cena que mostra os holandeses fugindo em pânico e abandonando suas bandeiras. A nova "Galeria dos Construtores do Brasil" será inaugurada no dia 5 de setembro durante a Semana da Pátria na qual se comemora este ano 190 anos da Independência do Brasil.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

resguardar-se e revelar-se

Ao trabalhar na série “Capturados”, retratos de artistas pernambucanos como se estivessem presos, percebi que quando o modelo procura não se expor ou não revelar-se resguardando a sua identidade física, tal como um suspeito detido, a atenção e a curiosidade do espectador são atiçadas. Essa situação gera um estranhamento, a pintura ganha certo fascínio ao não revelar tudo e oferece ao expectador diversas possibilidades de interpretação e diálogo com a tela. Esta tensão entre revelar-se e resguardar-se, se tornou um elemento marcante em outros retratos e estudos de figura que fiz recentemente. Nessas pinturas usei este recurso de maneira diversa: a figura empacotada, uma visão surreal a la Magritte do backface portrait, sombras, mão frente ao rosto, olhos fechados, o uso de um atributo estranho "fora de época"... Confira na série de quadros embaixo.

retrato empacotado

mulher embrulhada

backface portrait de Márcia

backface portrait de Jonas

luz e sombras

Seguem dois estudos ou ensaios para uma tela maior que pretendo executar num estilo caravagista. É um desafio pintar áreas sombreadas com nuances diversas.

rapaz com mão no nariz

moça com mão no nariz

o duque de Brabante

Esta criança é o Duque de Brabante, no inverno de 1936, escrevendo suas primeiras letrinhas, posteriormente ele seria o Rei Balduíno da Bélgica (1930-1993). Há pouco tempo encontrei na casa da minha mãe uma coleção de fotos da família real belga nos anos '30. Minha mãe, uma mocinha de 15 anos em 1936, colecionava tudo que tinha a ver com a Rainha Astrid (1905-1935) que morreu de forma trágica num acidente de carro. Era a Princesa Diana do período entre-guerras na Europa.
Dois pintores contemporâneos belgas, Luc Tuymans e Michaël Borremans, recorrem bastante em suas pinturas a esse tipo de imagem/fotografia da primeira metade do século XX. O último, Borremans, dominando uma técnica primorosa, clássica de pintura para não dizer acadêmica haja vista que já faz algum tempo que academia nenhuma ensina isso.